Português
Perspectivas

Webinário emergencial do WSWS articula estratégia socialista para parar a guerra dos EUA-Israel contra o Irã

Publicado originalmente em inglês em 10 de março de 2026

Em 8 de março, o WSWS realizou um webinário global emergencial sobre a guerra dos EUA-Israel contra o Irã, atraindo milhares de participantes de todo o mundo. O evento apresentou uma perspectiva revolucionária única: uma análise socialista e anti-imperialista orientada para a classe trabalhadora internacional como a única força social capaz de pôr fim a esta guerra e a todas as guerras imperialistas. Ele rompeu radicalmente com todas as explicações oferecidas por comentaristas burgueses e organizações pseudoesquerdistas, nenhuma das quais oferece qualquer caminho a seguir para os bilhões de trabalhadores que se opõem à guerra contra o Irã.

Para assistir ao webinário completo, ative as legendas geradas automaticamente em português.

O webinário reuniu um painel internacional de dirigentes do Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI), o movimento trotskista mundial: David North, presidente do Conselho Editorial Internacional do WSWS; Keith Jones, secretário nacional do Partido Socialista pela Igualdade (SEP) no Canadá; Christoph Vandreier, presidente do SEP (Alemanha); Tom Scripps, secretário nacional adjunto do SEP (Reino Unido); Ulaş Sevinç, presidente do SEP (Turquia); e Will Lehman, operário da Mack Trucks e candidato à presidência do Sindicato dos Trabalhadores Automotivos (UAW). O evento foi moderado por Joseph Kishore, secretário nacional do SEP (EUA), e Tom Peters, do Grupo Socialista pela Igualdade (Nova Zelândia).

O evento ocorreu enquanto aviões de guerra americanos e israelenses bombardeavam Teerã pelo nono dia consecutivo no domingo, causando uma densa fumaça preta sobre a capital iraniana após ataques a depósitos de petróleo. O número de mortos ultrapassou 1.300, com milhares de feridos, e o governo Trump planeja abertamente o envio de tropas terrestres.

Ao iniciar o webinário, Kishore resumiu o caráter imperialista da guerra: “Em pouco mais de uma semana, testemunhamos uma rápida escalada da violência imperialista que ameaça incendiar o Oriente Médio e, de fato, o mundo inteiro”. Segundo Kishore, o ataque a uma escola feminina em Minab, que matou 150 crianças, o bombardeio de cidades e o ataque com torpedos a uma embarcação iraniana desarmada em águas internacionais apontam para “uma guerra de extermínio”. O governo Trump “declara que não está sujeito ao direito internacional nem a quaisquer restrições às ações do imperialismo americano. Ele exige rendição incondicional e promete destruição completa e morte certa a um país com mais de 90 milhões de habitantes.”

Situando esses crimes historicamente, David North inseriu a guerra no contexto dos julgamentos de Nuremberg. “A principal acusação contra os réus em Nuremberg — Göring, Keitel e Jodl — foi a de ‘crimes contra a paz’, ou seja, o início de uma guerra sem qualquer justificativa legal”, afirmou. “Não existia nenhuma ameaça iminente aos Estados Unidos. Todas as alegações, incluindo a absurda alegação de que o Irã estava prestes a lançar um ataque nuclear — ninguém acredita nisso. Todos sabem que é mentira.” North declarou que a liderança dos Estados Unidos “está absolutamente implicada em crimes que serviram de base para o julgamento e, em última instância, para a execução dos líderes do regime nazista”.

North situou a guerra dentro do contexto de 35 anos de esforços dos EUA para alcançar a hegemonia global incontestável após a dissolução da União Soviética, uma estratégia que “não começou com Trump”. Os métodos, disse ele, “tornam-se cada vez mais violentos e descontrolados, porque todo o projeto só é viável por meio de uma política de assassinato em massa global”. O objetivo subjacente da guerra é “abolir o século XX — apagar todas as consequências das lutas nacionais democráticas e socialistas do século XX, agir como se tudo tivesse sido um grande engano, como se a dominação colonial pudesse ser restaurada e o imperialismo reinar”. Isso equivale, afirmou North, à antiga declaração das elites dominantes: “Escravos vocês foram e escravos vocês serão”.

North alertou que os acontecimentos em Teerã são “uma continuação do que vimos nos últimos dois anos em Gaza. E o que veremos, se isso não for impedido pela classe trabalhadora, em futuras guerras, serão imagens não de Teerã — serão imagens de Moscou, serão imagens de Pequim”.

O webinário exibiu um trecho com declarações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmando que, na guerra contra o Irã, não irão existir “regras de engajamento estúpidas, nem atoleiro de reconstrução nacional, nem exercício de construção da democracia, nem guerras politicamente corretas. Lutamos para vencer e não desperdiçamos tempo nem vidas.”

Keith Jones então detalhou o impacto catastrófico da guerra sobre a população civil do Irã, citando o presidente do Crescente Vermelho do Irã, que relatou mais de 6 mil estruturas civis danificadas — incluindo 5.535 unidades residenciais, 64 escolas e 14 centros médicos. Jones observou que dezenas, senão centenas de milhares de iranianos morreram nas últimas duas décadas como resultado das sanções ocidentais, e que o próprio Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã em 2018, impondo sanções “com o objetivo explícito de destruir a economia iraniana e provocar uma mudança de regime” — sanções que “continuaram sem interrupção sob o governo democrata de Joe Biden”.

Christoph Vandreier relatou que, na semana passada, o chanceler alemão Friedrich Merz viajou a Washington e disse a Trump: “Estamos em sintonia no que diz respeito a derrubar este regime terrível em Teerã”. Vandreier traçou um paralelo direto entre a linguagem de Hegseth e a dos nazistas: “Quando ele diz que não existem regras, mas que lutamos para vencer, isso é praticamente o que Hitler disse em seu discurso aos oficiais do exército pouco antes do ataque à Polônia, quando afirmou: ‘O vencedor não será questionado depois se disse a verdade ou não. Ao iniciar e conduzir uma guerra, não é a justiça que importa, mas a vitória.’” A Alemanha havia anunciado planos “para construir a força militar mais poderosa do continente e se rearmar em uma escala nunca vista desde Hitler”.

Vandreier também expôs o papel do partido A Esquerda alemão, cujo presidente, Jan van Aken, celebrou os assassinatos de líderes iranianos, dizendo: “Que bom que eles se foram e que apodreçam no inferno”. Jan van Aken chama a guerra de criminosa e ilegal, observou Vandreier, “mas, ao mesmo tempo, legitima seu resultado e apoia seus objetivos”.

Tom Scripps abordou a cumplicidade do Reino Unido. Scripps disse: “Mais uma vez, um governo trabalhista está envolvendo o Reino Unido em uma guerra criminosa no Oriente Médio, contra a esmagadora oposição da população”. Relatórios vazados do Conselho de Segurança Nacional britânico mostraram que o governo foi informado dos ataques iniciais com mais de duas semanas de antecedência. Oficiais de alta patente do exército britânico conversaram “com seus homólogos americanos sobre como elaborar um pedido que permitisse ao governo do Reino Unido alegar algum tipo de justificativa para seu envolvimento.”

Ulaş Sevinç destacou a greve selvagem de mais de 1.200 mineiros na mina de Polyak Eynez, em İzmir, na Turquia, que começou antes da guerra e continuou durante seus primeiros dias. Sevinç afirmou: “Durante essa greve selvagem, discutiu-se abertamente entre os trabalhadores que, se eles tomassem o controle da mina naquele momento, poderiam tomar o controle do país”. Ele acrescentou: “Eles demonstraram objetivamente que existe uma força social, um poder social que deve ser mobilizado contra a guerra imperialista”.

Will Lehman relatou a enorme impopularidade da guerra entre os trabalhadores americanos. Ele afirmou: “Apenas 20% de aprovação entre os cidadãos americanos para a guerra no Irã — isso me parece até um número alto, pelo que conversei com os trabalhadores”. Ele mencionou o ataque policial contra estudantes do ensino médio que protestavam contra o ICE em Quakertown, no estado da Pensilvânia, destacando as tradições revolucionárias da região, que desafiaram a Lei dos Escravos Fugitivos antes da Guerra Civil. Lehman afirmou: “Existe uma ampla oposição. Existe um sentimento claro de revolução se formando novamente na Pensilvânia.”

North retomou a narrativa promovida pela revista Jacobin e pelos Socialistas Democráticos da América (DSA) de que os EUA estão “lutando a guerra de Israel”. Ele rejeitou isso categoricamente, afirmando: “O rabo pode abanar muito, muito vigorosamente, mas é o cachorro que está no comando. Israel não dita a política americana.” Ele observou que o golpe de 1953 no Irã foi organizado inteiramente pelos Estados Unidos e que o Xá atuava como “o gendarme do Golfo Pérsico” — um papel muito mais significativo na época do que o de Israel. “Apresentar isso simplesmente como uma guerra israelense é fornecer um álibi para o imperialismo americano e excluir essa guerra de toda a estratégia global dos Estados Unidos.”

North previu que “os Estados Unidos perderão esta guerra”, não apenas por causa da resistência das massas iranianas, “mas, fundamentalmente, porque o próprio caráter da guerra e as próprias contradições que a originaram também estão intensificando as contradições sociais em todos os países capitalistas”. Ele citou o artigo de Trotsky de 1934, “A Guerra e a Quarta Internacional”, que enfatizou a necessidade de “seguir não o mapa da guerra, mas o mapa da luta de classes”.

Em suas considerações finais, North dirigiu-se diretamente aos jovens, citando a observação de Lenin de que os governos “nunca são tão fracos” como no início das guerras. Segundo ele, “De toda a propaganda enganosa, talvez a mais enganosa seja a concepção de que este governo é todo-poderoso. Ele não é. Trump, este governo, está arriscando tudo nesta guerra.” Invocando o apelo da Declaração de Independência por “um respeito decente pelas opiniões da humanidade”, ele perguntou: “Este governo demonstra um respeito decente pelas opiniões de alguém? Além daquele idiota, canalha, criminoso Donald Trump e sua corja de lunáticos políticos? Eles não têm respeito por ninguém. Não têm respeito pelo povo americano, não têm respeito pela opinião do mundo.”

Kishore extraiu lições políticas dos protestos em Gaza, que o WSWS havia alertado desde o início serem uma frente em uma guerra mais ampla contra o Irã. Manifestações massivas foram canalizadas por várias organizações “sob a perspectiva de pressionar o establishment político, quando o que realmente se faz necessário é o desenvolvimento de um movimento na classe trabalhadora, mobilizando o poder social da classe trabalhadora — fabricação de armas, transporte, logística. A classe trabalhadora tem um enorme poder para intervir nessa situação.” Ele observou que o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, membro dos DSA, visitou a Casa Branca e apertou a mão de Trump “na véspera do bombardeio ao Irã”, expondo a “falência política absoluta” dos DSA.

Peters, baseando-se nas contribuições dos oradores, enfatizou na conclusão que “a classe trabalhadora não é impotente e se mobilizará em resposta à guerra, à crise econômica e aos ataques ao seu padrão de vida, bem como contra o desenvolvimento do fascismo e do autoritarismo nos Estados Unidos, na Europa e em outros lugares. Mas esse movimento, que se desenvolverá e está se desenvolvendo em escala global, exige direção política, que deve ser internacional e fundamentada nas lições das lutas revolucionárias ao longo da história.”

O webinário de domingo se destaca como a única análise política séria da guerra contra o Irã que identifica a classe trabalhadora internacional como a força social que pode e deve pará-la. Incentivamos todos os nossos leitores a assistirem ao webinário, compartilhá-lo o máximo possível e discutirem suas lições e o caminho a seguir com colegas de trabalho, familiares e amigos. Acima de tudo, tome a decisão hoje de se filiar ao Partido Socialista pela Igualdade, caso exista uma seção no seu país, ou tome a iniciativa de criar uma seção onde não existir.

Loading