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Perspectivas

A campanha de Will Lehman a presidente do UAW conquista amplo apoio enquanto DSA lançam calúnias

Publicado originalmente em inglês em 17 de fevereiro de 2026

O lançamento da campanha de Will Lehman para a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Automotivos (UAW) é um evento político de grande importância para toda a classe trabalhadora. Lehman, um operário da Mack Trucks, está concorrendo para organizar uma rebelião da base contra uma burocracia parasitária que transformou o UAW em um instrumento da administração e do Estado.

Will Lehman

A plataforma de Lehman se concentra na transferência de poder do aparato aos trabalhadores na linha de produção por meio de uma rede de comitês de base, na extinção da colaboração corporativista, na oposição ao veneno nacionalista que coloca os trabalhadores uns contra os outros além das fronteiras nacionais e na mobilização do poder industrial dos trabalhadores em defesa dos direitos democráticos e contra a guerra.

O vídeo inicial da campanha, publicado no site de Lehman, WillforUAWPresident.org, foi visualizado centenas de milhares de vezes, e a campanha recebeu mensagens de apoio de trabalhadores de diversas indústrias e países.

Foi precisamente essa resposta que provocou um ataque frenético e malicioso contra a campanha de Lehman por parte dos Socialistas Democráticos da América (DSA), uma fração do Partido Democrata.

Em uma declaração particularmente reveladora publicada no X, Honda Wang, membro do Comitê Diretivo da Comissão Nacional do Trabalho dos DSA, escreveu, em resposta ao vídeo de campanha de Lehman: “parem de cair na lábia desses lunáticos que querem acabar com os sindicatos… eles mandam gente para piquetes para dizer aos trabalhadores que parem de pagar as contribuições sindicais, que se desfiliem do sindicato e formem comitês com o partido deles… me parece uma clara estratégia antissindical.”

Ignorando todas as questões levantadas por Lehman — incluindo a luta por salários que recuperem as perdas passadas, uma política de não demissão, assistência médica paga pela empresa e a semana de 30 horas de trabalho sem redução salarial; a união dos trabalhadores contra o chauvinismo nacionalista; e a mobilização do poder industrial dos trabalhadores para defender os direitos democráticos e se opor à guerra — Wang se concentra na questão das contribuições sindicais. Isso é revelador, porque vai ao que, para o aparato sindical, é o cerne da questão: a renda da burocracia.

Na verdade, Lehman não pede aos membros do UAW que “parem de pagar as contribuições”. Porém, Wang levanta o espectro de que os trabalhadores o façam porque fala como um burocrata — furioso com a possibilidade de que o fluxo automático de dinheiro dos trabalhadores para uma burocracia, que existe para fiscalizá-los e impor concessões, possa ser ameaçado.

Porém, os trabalhadores devem ter todo o direito de decidir se irão financiar uma organização que alega representá-los. Se os trabalhadores acreditam que um sindicato está lutando por seus interesses — travando uma luta real contra demissões, aceleração do ritmo de trabalho e concessões — eles pagarão as contribuições de bom grado.

Historicamente, socialistas e militantes de base suspeitavam profundamente do desconto automático das contribuições sindicais, pois fortalecia a independência da burocracia em relação aos trabalhadores que alega representar. O empregador deduz as contribuições dos salários dos trabalhadores e as repassa automaticamente, isolando o aparato do consentimento ativo e democrático da base e vinculando institucionalmente o sindicato à administração como coletor das contribuições.

O sistema de contribuição sindical obrigatória foi ampliado consideravelmente durante a Segunda Guerra Mundial como parte de um pacto corporativista mais amplo. Os sindicatos, incluindo o UAW, fizeram cumprir o compromisso de não iniciar greves em tempos de guerra e participaram de acordos de produção conjunta com o objetivo de suprimir salários e aumentar a produção, enquanto os empregadores garantiam o fluxo ininterrupto das contribuições. Isso ajudou a facilitar a consolidação de uma burocracia sindical pró-capitalista.

Quando Wang e os DSA levantam a possibilidade do fim do pagamento automático das contribuições, o que eles estão defendendo é precisamente o que Lehman expõe em sua declaração de campanha: um enorme aparato financeiro construído com o dinheiro das contribuições sindicais dos trabalhadores, acumulado por uma camada de executivos da classe média alta. Como explica Lehman, “Na sua configuração atual, o UAW é um sindicato apenas no nome. A sua função é nos isolar e nos disciplinar, e proteger os interesses de uma burocracia privilegiada que está em conluio com as empresas e o governo.”

Lehman observa que o UAW possui US$ 1,1 bilhão em ativos, emprega cerca de mil pessoas e paga a quase 470 dirigentes mais de US$ 100 mil por ano, sendo que o presidente do UAW, Shawn Fain, recebe US$ 270 mil, a secretária-tesoureira Margaret Mock, US$ 247 mil, os vice-presidentes recebem em média US$ 235 mil e os diretores regionais, US$ 220 mil. Esses dirigentes, observa Lehman, “estão entre os 5% mais ricos” e são imunes aos choques econômicos que afetam os trabalhadores. Lehman também destaca os 500 a 600 “representantes internacionais” que ganham de US$ 140 mil a US$ 160 mil para atuarem como “polícia industrial bem remunerada”, consumindo “de US$ 90 a US$ 100 milhões em folha de pagamento anualmente”.

Com a posse de Shawn Fain em 2023, em uma eleição marcada pela supressão sistemática de eleitores, os DSA e seus aliados foram diretamente integrados aos escalões superiores do aparato do UAW. Tanto os DSA quanto o Labor Notes apoiaram Fain e denunciaram a campanha de Will Lehman, opondo-se ao seu apelo por comitês de base e à transferência de poder para o chão de fábrica, enquanto promoviam a farsa de que Fain seria um “reformador” — uma mentira que foi amplamente desmascarada nos últimos três anos.

Eles foram, e continuam sendo, bem remunerados por seus serviços como conselheiros e funcionários da burocracia. O chefe de gabinete de Fain, Chris Brooks — membro dos DSA e ex-colaborador do Labor Notes — recebeu US$ 211.968 em 2024, enquanto seu assistente, Jonah Furman, também ex-colaborador do Labor Notes, ganhou US$ 175.318.

A acusação de Wang de “destruição dos sindicatos” é o reflexo padrão de um aparato privilegiado confrontado com um desafio da base. Para Wang e as forças que ele representa, o sindicato é o aparato. Os trabalhadores são meros objetos a serem gerenciados. É por isso que ele equipara a organização independente dos trabalhadores para exercer controle democrático — sobre negociações, greves, comunicações e até mesmo sobre como suas contribuições são coletadas e usadas — à 'destruição sindical'.

O aparato que os DSA defendem com tanto ardor presidiu a supressão sistemática da luta de classes por mais de quatro décadas.

Ao longo desse período, a greve — historicamente a arma mais poderosa à disposição dos trabalhadores — praticamente desapareceu da vida americana. Em 1970, houve 381 grandes paralisações envolvendo mais do que mil trabalhadores. Na década de 2010, esse número havia despencado para apenas algumas por ano. Isso não aconteceu porque os trabalhadores estavam satisfeitos. Aconteceu porque a burocracia sindical, ao longo de décadas, sufocou todo o impulso de ação coletiva, transformando os sindicatos de organizações de luta em instrumentos de disciplina do trabalho a serviço da administração corporativa.

Nas eleições do UAW, Lehman concorre como representante da base, e é por isso que sua principal promessa é considerada intolerável pelo aparato e seus defensores. Como afirma Lehman: “A verdade é que essa burocracia não pode ser reformada. Ela precisa ser abolida. Os parasitas sindicais que colaboram com a administração e o Estado devem ser removidos, e os recursos do sindicato devem ser retirados de suas mãos e colocados sob o controle democrático da base.”

Fain é o candidato desse aparato, e seus apoiadores nos DSA o defendem porque seus próprios cargos e salários estão atrelados à preservação da burocracia e à supressão da luta de classes.

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